21.6.09

Tengo miedo!!!


Desde pequena eu escuto falar que o Recife é violento. As pessoas recomendam fechar a janela do carro, segurar bem a bolsa quando for à cidade, voltar sempre de táxi à noite, ter cuidado com pessoas "estranhas" nos ônibus... afff que estresse.

Nesta semana um carioca me disse que acha Recife mais violento que o Rio de Janeiro. Pode isso?!!

Ontem de manhã, na lavanderia, eu lia o livro Fobópolis – cidade do medo - enquanto aguardava a roupa ser lavada. É um livro sobre o sentimento de medo que assola as nossas cidades. Não só o sentimento, como os acontecimentos que despertam esse medo.

Na seqüência, no mesmo dia à tarde, Cássia é assaltada na porta da minha casa em Olinda quando chegava para encontrar com Anna. Por sorte levaram apenas o celular.

De noite foi a vez de Anna e Giulia serem assaltadas quando voltavam para casa. Neste mesmo momento, eu e alguns amigos bebíamos no Xinxin da Baiana e, por coincidência ou não, falávamos sobre assalto. Foi quando as meninas voltaram de mãos abanando e aí já entendemos tudo. Um bando de moleques bem vestidos abordaram-nas e levaram suas bolsas. Anna ainda agarrou o braço de um deles e levou pra delegacia, mas os policiais preferiram acreditar no garoto que disse que não conhecia o bando.

De repente tudo se volta para o tema da violência, até as conversas no bar. Passamos horas a falar dos assaltos. Shirley a contar os inúmeros assaltos que já viveu. Suas histórias até que eram cômicas, mas poderiam ser trágicas se algo mais grave tivesse acontecido.

De brincadeira para a vida real. Eu e Betina, quando bebíamos juntas, começávamos a hablar espanhol e voltávamos alegres para casa dizendo “tengo miedo”. Talvez por isso mesmo nunca fomos assaltadas na volta pra casa. Afinal, quem assaltaria duas loucas em pleno surto?!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Espero que meus últimos dias na small city me deixem lembranças melhores... Calma!!! só disse “últimos dias” porque vou me mudar em breve. Ai, que medo! Ou como diz meu amigo italiano Walter: Che paura!

24.9.08

Nuclear Extreme no múúúúúúúsculo, mermão!!!!


Impressionante!!!

Estaria eu ficando louca???

Ouvi Nuclear Extreme nos meus músculos!

Fui fazer um exame para descobrir o que aconteceu com meus pés que doem pra caramba ao ficar muito tempo em pé. O tal do exame se chama eletroneuromiograma. Demorei um século pra decorar esse “palavrão”... rsss

Para os que querem ter essa excêntrica experiência, vou logo avisando: primeiro passei por quase uma hora de choques na perna. A galera vai pensando que é como aquele examezinho do coração em que eles põem umas bolinhas grudadas no corpo e ficam só ouvindo o que acontece (o eletrocardiograma)... na na ni na não... esse que eu fiz é tortura completa, punk rock heavy metal hard core!!! Muitos choquinhos e um esparadrapo grudado perto do local do choque com um aparelhinho que mede as reações. De quebra ainda tem depilação ao arrancar os esparadrapos (os homens são os que mais sofrem, segundo a médica-torturadora).

Aí... depois dessa quase uma hora de choques, que fazem até a perna levantar sem você querer... vem as agulhinhas de aproximadamente 20cm que são enfiadas nos músculos e apertadas de vez em quando. É aí que vem a parte mais legal do exame. Foi quando a médica ligou o som do computador e disse: agora vamos ouvir uma coisinha... de repente, umas batidinhas no músculo e...

iiiiizzaiasdbiiiiiiioahedivdzzzziiiiiiizzzzzzzzzdiqagdugzlahdfigcvapiiiiiiiidofdhaigvazzzzzzzaaaaaaadlhbocagcnalfkcvhkchiiiiiiiiihaçdandoxpahdogcksaljgrf9uicgz\hjcgiuwaiiiiiidxcalkgdpuiagfkjchakjfzchahg...
Era o som de Nuclear Extreme, a banda de Grilo e Thelmo... kkkkkkkkkk

Agora a expressão “rock n’roll na veia” pode ser também: Nuclear Extreme nos músculos!!! Uhuuuuuuuuuuuuu

* Atenção: para ouvir Nuclear Extreme sem fazer o exame é só acessar: www.myspace.com/nuclearextreme

Cheiro... :-P
Adri.

3.9.08

Um jantar particular



No último domingo a equipe de “in the small city” tirou folga para participar de um novo seriado. É que, com a minha mudança para a pousada-apart secreta, novos cenários e personagens surgiram.
Defino este novo filme como um misto de “Mel Rose” e “Friends”. Lembra do seriado “Mel Rose”? aquele em que jovens com mais de 30 anos viviam em um pequeno condomínio que tinha uma piscina fantástica no pátio, e se passava algum lugar dos Estados Unidos. Pois bem, acho que eu era adolescente nessa época e sonhava em morar num lugar desses. (uhuuuuuu, enfim esta hora chegou!).
A pousada-apart secreta é algo assim, só falta a piscina, mas tem uma área de convivência massa! Somos quatro hospedes-moradores e os demais são hospedes-hospedes mesmo, daqueles que vem passar uma curta temporada e logo são substituídos por outros. Estes também são chamados de figurantes. Eles podem até ter um papel importante, mas são apenas participações temporárias, como Rodrigo Santoro em Lost (Eita, peguei pesado dessa vez!).
E o seriado Friends, você deve ao menos ter ouvido falar. É aquele seriado norte americano (aff... também tudo quanto é seriado famoso é dos EUA, eu hein!), em que jovens com mais de 30 anos (de novo.... kkkkk) vivem histórias super-engraçadas.
De volta à vida quase real... dois desses hospedes-moradores são Italianos.
* * * Pausa para um comunicado importante: Gente, Olinda está tomada pelos Italianos... Uma loucura! Por onde eles andam aparecem mais e mais, é um verdadeiro bando! E eu nunca pensei que eles fossem tão divertidos. Tem uns que, pra se fazer entender, ora falam em português, ora em italiano, ora em francês, ora em espanhol (Não pense que é imaginação fértil não, é vero!... kkkkkkkkkk).
Voltando para o roteiro... na noite do domingo tínhamos 3 italianos, os dois que moram na pousada-apart secreta, e um agregado que mora numa outra pousada. Tínhamos ainda como participações super-especiais (no elenco brasileiro): uma pequena paraibana elétrica - Madge, Evinha – a jornalista, origamista, hedonista (enfim, essa vocês conhecem bem), Eu – a plantinha aérea, e Ede – a anfitriã.
Pois bem, eis que os italianos já estavam altamente organizados com todos os ingredientes para o prato da noite, uma massa, é claro. E, rapidamente se puseram a cozinhar. Realmente eles são bons nisso, parecia que tinham passado uma tarde planejando, mais que nada, foi tudo na hora. Ao mesmo tempo em que Ana preparava a salada, Alberto descascava as azeitonas e Walter aprontava o molho.
Do lado brasileiro, a pequena paraibana elétrica se aperreava pra preparar uma bebida e prestar nossa contribuição para o jantar. Ela queria fazer uma bebida chamada nevada, mas como não tínhamos os ingrediente ela teve que improvisar. Foi uma resenha! Catávamos tudo o que tinha na geladeira e só sei que ficou assim: gelo, vodka, leite em pó, sorvete de alguma coisa (que eu não lembro mais), poupa de cajá e mais um ingrediente secreto que não posso revelar senão perdemos a chance de patentear esse negócio pois, mesmo com esse aperreio todo, ficou uma delícia!
Fomos salvas por Madge, afinal tínhamos que fazer alguma coisa para esse jantar, pra depois não dizerem que estamos explorando os pobres coitados dos italianos (...kkkkkkkkkkk).
No final das contas, nem posso tirar uma onda de que ficamos supervisionando eles na cozinha, porquê o que menos fizemos foi observar os procedimentos culinários. Demos toda credibilidade aos nossos cozinheiros e aproveitamos o tempo pra falar um monte de besteira e rir à toa. Além do mais, o macarrão era só um pretexto para esse encontro excêntrico.
Enfim, foi uma noite “particular”, como dizem os italianos!
Outros atores foram convidados mas estavam em outras filmagens como Cris da Hora que participava de um episódio de aniversário e Giovanni (outro italiano), que estava descansando da filmagem do dia anterior que foi até de manhã... rsss
Um cheiro, A Dri.

3.8.08

One year living in the small city



Cada dia estou mais apaixonada por esta pequena cidade! Parece que estou parodiando Carrie, uma das personagens de “sex and the city”, quando fala sobre sua paixão por Nova York. Assim como no amor, a gente se entrega pela cidade com a qual a gente se identifica. Carrie caiu de amores por NY City e eu por Olinda.

Hoje fez um ano que estou morando na pequena cidade e de tão feliz por tudo o que aconteceu neste período, convidei alguns amigos para curtirem comigo esta data. Como foi um convite de última hora, achei que não viesse tanta gente, mas para a minha surpresa...

Tudo começou com Eva... que chegou bem cedo lá em casa, enquanto eu ainda organizava as coisas. Depois foi chegando Carlinha, Crisinha, Téu, Café... quando vi, a concentração para a subida da ladeira em direção aos bares já tinha virado uma festa.

Agora, perto de 4 h da manhã, ainda sinto a energia das pessoas aqui em casa. Quase posso ouvir as gargalhadas de Evinha, ver o sorriso de Cris, o olhar clínico de Carlinha com uma risidinha na ponta dos lábios, o encantamento dos Italianos Ana e Alberto, amigos recentes mas já muito queridos.

Quando conseguimos sair de casa (apenas porque a cerveja acabou e a chuva diminuiu) e fomos a um dos barzinhos dos quatro cantos, onde encontramos um monte de amigos fofinhos... Paulinho, Julinho, André Dib, Isis, Luri... Tudo lindo!!! Também comemorávamos o aniversário de Isis e as conquistas de Carlinha. Afinal, tudo o que nos faz feliz deve ser comemorado, não acha?...
;)

Olinda é uma caixinha de surpresas!... esse um ano comemorado não é apenas um período de 365 dias, é um monte de coisas vividas, um monte de amigos, paixões avassaladoras, encontros, noites que avançam até o raiar do sol. Sinto-me em um círculo de amor, proteção, carinho, amizade...

Pareço uma boba falando assim.
É... estou mesmo apaixonada!... rssssss

Agora, já passando das 4 da manhã... lembro que cheguei em casa debaixo de chuva, toda molhada e feliz! A cidade ainda ferve, as pessoas lotam os bares. Hoje é dia de festa na small city... e amanhã e depois...

Vou dormir como uma criança que fez um aninho de idade, eufórica, explodindo de feli-cidade! Capaz de acordar batendo palminhas... rssss

Um cheiro e até a próxima festinha,
ADri.

Calçadas e balcões


(Foto de Mayra Jucá da Rua Prudente de Morais durante itinerância etílica)

No início era assim... eu saia sozinha e sentava nas calçadas próximas ao Bar de Dacy. Ouvia os garotos tocando violão, comia um quiche de Cris, enquanto tomava uma cervejinha e pronto, tinha me dado por satisfeita só por ter saído de casa e percorrido as ladeiras. Não conhecia tanta gente e achava que ninguém me notava. Oh, quanta ingenuidade! Como se as pessoas, e principalmente os homens, não fossem perceber que tinha uma mulher nova na cidade... rssssss

Depois passei a freqüentar mais o Bar de Aloma. Gostava de ir cedo, porque no dia seguinte tinha que acordar cedo. O bar estava quase vazio, sentava no balcão e ouvia músicas gostosas e relaxantes. Foi assim que me aproximei de Help, a garçonete oficial de Aloma, e que conheci Lucy, que fica atrás do balcão apenas neste momento de começo de noite, pois em seguida ela deve preparar deliciosos quitutes para os clientes.

Nós ficávamos só observando as figuras que chegavam no balcão. Isso era muito divertido. De vez em quando aparecia um mala, já bêbado falando besteira. Teve um que olhou pra mim e disse:
- Você fuma um, não é?!
Eu olhei indignada e disse: Não, como assim!!! Porque você diz isso?
- Porque você tem cara de quem fuma.

Nem discuti, mudei de lado do balcão e deixei ele lá sozinho do outro lado. Não adianta discutir com bêbedos, melhor manter a distância.

Logicamente, que esse comentário teve muito a ver com meu visual. É culpa dos cortes de cabelos loucos que Mário faz... rsssss. Mário é o “meu” cabeleleiro e de todas as cabecinhas cacheadas e as ongueiras de Olinda e Recife. Os cortes podem ser loucos se você quiser que sejam. Mário respeita muito a vontade do cliente. Mas se eu começar a falar de Mário, vai mais um post. Então, escreverei em breve sobre esta figura maravilhosa.

Voltando ao balcão... Lucy também me fez uma pergunta: - Você é do teatro? Ah, agora sim, uma imagem mais gratificante.
Infelizmente, não... acho o máximo teatro, mas sou muito tímida pra isso... rssss(é verdade!)

Ainda no balcão... de vez em quando também aparecem uns gringos, e visitantes de todo lugar. Foi ali que conheci Lílian, uma carioca com visual hippie que adora Olinda. Uma figura zen e linda!

No dia seguinte esbarro de novo com Lílian na rua e a arrasto ela pra Bodega do Véio, onde encontramos Evinha, Café e uns amigos. Mas Lílian estava aperriada pra voltar pros quatro cantos, pois tinha encontrado o pessoal da Tribo de Jah e queria ver se iam tocar em algum lugar. Lílian, além de curtir o som dos caras, ainda conhece a galera toda.

Descemos a ladeira em direção aos quatro cantos quando nos deparamos com o pessoal da Tribo de Jah e Eduin, filho de pai Edu e um puta percussionista, fazendo um som acústico na calçada da antiga casa de Patrícia e Okki.

E assim acabou esta noite, na calçada, ao som dos batuques de Jah e Eduin. E pensar que uma galera ia se deslocar até Porto de Galinhas pra ver o show dos caras, enquanto nós estávamos tendo um showzinho particular na calçada...
;)


Um cheiro e até a próxima aventura,
ADri.

Cabelo cacheado, um desafio


(Beatriz Milhazes, Serpentina, 2003)

Por Adriana Mendonça

Ao chegar em Olinda, quase enlouqueço... sem conhecer nada, não sabia onde cortaria meu cabelo. Não tenho culpa se ele é revoltado e poucas pessoas sabem como cortá-lo. Pensei até que teria que esperar para cortar em Maceió, quando Evinha me disse: - Vai em Mário, ele é o cabeleleiro das cabeças cacheadas e das ongueiras. Mas ela não sabia nem onde ele atendia, nem tinha o telefone dele.

Outro dia no trabalho, olho para Neguinha e percebo que o cabelo dela tava massa (e era cacheado). Não pensei duas vezes e perguntei com quem ela cortava. Adivinha a resposta! – Com Mário. Foi aí que consegui o telefone dele.

Pronto, marquei uma hora na agenda de Mário... uma tarefa não muito fácil, pois é Mário é um profissional disputadíssimo!

A casinha de Mário é linda. Bem aconchegante! Ele trabalha com Lili, a sua esposa. É ela que lava os cabelos, pinta, faz sobrancelhas, enfim... um monte de coisas.

Mário é um amor!... o salão tem cheiro de incenso, música da melhor qualidade, energia boa em todos os cantinhos.

No primeiro corte não permiti que ele ousasse tanto. Pedi que fizesse um cabelo de anjinho, assim redondinho. O segundo também, mas o terceiro...

O terceiro foi assim... antes tenho que fazer o preâmbulo. Algumas vezes encontro Mário na rua chegando de algum lugar ou fazendo seu passeio noturno com o cachorro. Ao que, ele me cumprimenta sempre muito simpático. Um dia ele me disse: - Já está bom de cortar, hein mocinha! Está tão grande que tá até dando pra amarrar!

Já no salão, se aprontando para o corte, Mário diz: - Eu estava lhe observando na rua e pensando em como faria um corte do seu cabelo. Lili, caiu na risada. Esse Mário!!! Ele estava me analisando todas essas vezes que me encontrava e bolando o plano de corte para o meu cabelo, pode isso?!

Como ele já tinha conquistado a minha confiança, eu o deixei ir em frente. E ficou o máximo! Super modeninho! Pena que não tenho foto pra postar, mas outros cortes virão, aguardem!...
;)

Um cheiro,
ADri.

16.7.08

Ele sou eu.


Hoje à tarde, eu sonhei com ele.
Não com aquele que anda pelas ruas e bares,
que se instala no balcão do meu bar preferido com cara de bobo.
Sonhei com aquele que eu, apaixonada, inventei.
E como foi bom vê-lo sorrindo pra mim,
com a cara iluminada, jovial, com as barroquinhas aparecendo.



Eu havia andado pela cidade, evitando os lugares em que ele poderia estar, mas quando cheguei em casa, ele entrou no jardim.
Não disse nada.
Eu abri a janela para refrescar e lá estava ele.
Sorriu brincalhão e,
sem dizer uma palavra,
pôs a mochila nas costas e entrou pela janela mesmo,
como se fosse de casa.
Eu disse que precisava ir ao banheiro.
Fechei a porta e,
quando baixei a calcinha,
lá estava ele, me olhando e rindo.
Acordei sem conseguir fazer xixi diante daquele olhar. ...



Não era ele porque ele não existe.
Eu inventei o cara por quem me apaixonei.
Espécie de amigo imaginário:
ele está dentro de mim.
Ele sou eu.
Transformei,
no meu sonho acordada,
um cara depressivo,
que vive a vida sedado,
em alguém criativo e divertido.

Vivi um ano lindo, enquanto acreditava nisso.
Vivi um ano infernal enquanto tentava refazer, maquiar, juntar as lantejoulas que iam caindo da fantasia e fazer funcionar o que nunca foi verdadeiro.
Vivi um ano de medo de perdê-lo.
Um ano de medo de perder o que é parte de mim.
Divertida e criativa sou eu. ...

Perdi a minha terceira perna...

Como ser amiga in the small city


Outro dia saí de casa rumo a uma festinha no Quintalzinho Amado, o Quintal do Rossilove.
Vestia um trapézio verde com bolinhas brancas bem soltinho com bainha no joelho, juba solta e sandália Melissa branca.

Como sempre, fomos à itinerância: eu, Carlinha e Adri.
Bodega de Véio, Aloma, Dacy, Licoteria.
Enquanto tomávamos doses e mais doses dos deliciosos licores orgânicos preparados por Fernando,
rosa amélia, leite, gengibre, café, chocolate, ...,
Adri foi ao banheiro no primeiro andar e voltou com uma coisa na mão.
Jogou a coisa no meu colo e disse: achei a tua cara!
Era um vestido. Aliás, era um minivestido. Aliás, era uma luva!
Cheio de desenhinhos retrô, justo e decotado e supermini.
Eu jamais compraria aquilo!
Mas não consegui tirar mais do couro.

O trapézio confortável foi para a bolsa e seguimos loucas para a festinha.
Amigos antigos olhavam minha bunda e perguntavam: isso sempre esteve aí?
Hahahahaha!
Arrasei!
Beijei muito!

Valeu, Adri!!!
; )

Toda mijada!



Pense num insight libertador!

Sabe os gatinhos?
Falo dos machos.
Eles costumam mijar nas coisas de que gostam para demarcar território.
Vivi essa experiência agora a pouco.
Um carinha, muito amigo meu começou a ligar, mandar e-mails, deixar recadinhos no meu msn...
Mas era todo dia!
Mais de um contato por dia.
E, aí está o problema!, sabendo que eu o acho muito interessante!

Criou-se, então, um clima de sedução tal que eu ia para as festas e não queria ninguém.
Podia até beijar bem muito, mas era por esporte.
Sabe como é isso?

Mas eu comecei a me sentir mal.
A coisa não acontecia.
Tinha algo estranho no ar,
como se eu estivesse passando por algum teste
ou sendo congelada para consumo posterior.

Eu estava toda mijada!

Foi quando saímos para conversar em pleno dia no vuco-vuco do Recife.
Foi quando ele me disse que esteve envolvido nos últimos meses com umas 5 ou 7 mulheres e eu era uma delas.
Caramba, se é isso que ele chama de envolvimento, é muita criatividade.

Aquilo foi uma banho pra mim.
Que delícia!
Fique com suas 4 ou 6 mulheres,
porque eu nunca integrei esses números
a não ser como pura - e péssima! - literatura.

Estou limpa!

12.4.08

In The Small "SUDESTE" Cities


E quem disse que só Recife e Olinda são "small cities"? E quem disse que em Small Cities não acontecem "milagres"?


Pois bem, o presente de Páscoa veio com uma semana de atraso (ou não, se nos prendermos aos rigores católicos que dizem que a Páscoa acaba em julho com a descida do Espírito Santo.... enfim, não vou falar muito, porque o Espirito Santo foi no verão passado).


A questão que me trouxe aqui hoje foi uma viagem ingênua às cidades históricas de Ouro Preto e Mariana (MG), aproveitando um compromisso em BH. (ou Belô, para os íntimos). Eram pra ser apenas três dias de lazer e descanso, com uma amiga não tão ingênua assim...


Mas o bicho começou a pegar na segunda noite, quando, caminhando por um calçadão, em meio a uma suave garoa fora de época (neve para nós nordestinas), quando me deparei com vários livros estendidos no batente de um cine-teatro.


"A Menina que Roubava Livros", "Mulheres que Correm com Lobos", e até o velho Marx, numa edição mais atualizada do "Capítulo VI do Capital"... A diversidade das obras me chamou a atenção e só por isso parei.


Lêdo engano, entretanto. O responsável pelo comércio logo me abordou! Não lembro a ordem das perguntas ou das frases-recados que me deu, mas acho que estou "estatelada" até hoje com a "precisão" do homem em me falar e a minha "precisão" de ouvir tudo aquilo.


"Você me escuta, Luciana ou finge que me escuta?"

"Você é meio desequilibrada, como eu, não é? As pessoas desquilibradas são muito sozinhas."

E um "ultimo conselho": "Olhe, a solidão fere, mas fortalece. Porque ela é você e seus fantasmas". Era tudo, e tudo era muito.


Pronto, no dia seguinte, me rendi a visitar um lugar chamado Mina da Passagem (foto). Coincidência este nome?


Uma mina de ouro há 120 metros de profundidade, silenciosa, fria, escura e com uma acústica onde cada um só, finalmente escutava a si mesmo! Coincidência? Não sei, mas o que sei é que foi perfeitamente possível entender que é como o ouro o processo silencioso e solitário que vivemos pra extrair a melhor essencia das nossas almas. É quebrando pedras, esmigalhando-as, peneirando-as, misturando-as com água, numa dança artesanal de paciência e de acasalamento com o tempo.

Depois de tudo isso...

Fica só uma pergunta:

Qual a parte de mim que está contigo, que fostes embora, e que não quero tomar de assalto pra ficar com a minha solidão, extraíndo meu ouro?


É isso.





11.4.08

Quintalzinho amado...

Sacanagem da pior espécie!!!

Foi o que fizeram com nossos amigos Rossi e Adriana!
Pense num povo do bem!
Pense num lugar astral, onde a gente não sente o tempo passar até que uma luz estranha começar a azular o céu!
Eis o Quintal do Rossi!
Por trás da Igreja de São Pedro ou tanbém ao lado da Pitombeira.

Pois não é que outro dia, em plena música rolando, só se ouviu um plic! Roubaram o laptop que ele usava pra discotecar!

Vamos dar uma força pra galera!
Sabrina mandou o convite:
Festinha dia 18!

Vamos!!!

Muitos beijinhos,
eva

Do Drive-in ao Beco da Fome



Boteco, pintura digital por João Werner

Nem só de Olinda vivem as balzaquianas que escrevem este blog.

Aliás, acho que está empatado entre olindenses e recifenses.



Acompanhadas por Evandro Que, o Homem-Árvore, eu e Café fizemos um percurso pelo underground do Derby à Boa Vista.

Não era pra ser assim. O programa era cinema, mas, quem mandou marcar num boteco pra começar. Colamos nas cadeiras! Os copos não largavam das nossas mãos:

- me bebe, me bebe!!!

Hehehehe...



Enfim, Eduardo Coutinho que nos perdoe, mas cerveja é fundamental!

Do antigo Drive in – quem sabe o nome daquela bagaça? -, saímos pela Conde da Boa Vista em busca da cerveja perfeita.
Uma bocão na Select partilhada até atingirmos o Pithousen e seu indefectível caldo verde. O melhor que já tomei nesta vida!

Sim, porque não me lembro do que comi nas encarnações que vivi como gueixa, sinhazinha e cangaceira. Alguém duvida disso?

Sempre bebi no Pithousen, mas nunca tinha comido lhufas.

O Pit fica na esquina diametralmente oposta à da entrada posterior direita do Shopping Boa Vista, entenderam? Sei lá o nome daquelas ruas?



De lá: Cadu. Este eu sei. Fica na Rua da Conceição, onde moram os amigos Anna Z, Jota e Moa. Bebemos mais, porém evitamos as delícias de Conserva.

Quem é Conserva? Aiaiaiai, mas não se fazem mais boêmios como antigamente!!!
Conserva chega tranquilamente com seu carrinho envidraçado cheio de delícia pesadas em caldeirõezinhos. De miúdo a mocotó, tome parte de bicho guisada! Vale a pena!



E para terminar, nada como uma saideira no Bar do Timão, no Beco da Fome, ouvindo as histórias de dengue hemorrágica de Q?



E como tudo era cinema, a última cena foi a subida inesperada de Eva subindo num bacurau pra Ouro Preto.



Uma noite perfeita, com queridos amigos!



Ah! Evandro, teu livro tá comigo!



Beijinhos, bem muitos!!!
eva

1.4.08

Um insight em plena festa


Por que a gente continua passando mal ao encontrar com o bendito
(olha o eufemismo aí, gente?)
ex nos mesmos lugares que freqüentávamos juntos?

E por que dá uma vontade tão grande de ir embora quando ele chega?



Se a vontade não é de cair em cima, de boca, implorando pra voltar,

Se a vontade é de nunca mais olhar pra cara do bendito
(pode substituir com todos os impropérios desejáveis!),

Isso não é resquício de paixão nem amor sem destino certo.



É tristeza causada por uma espécie de déja vivi,
é a lembrança dos tempos de tortura psicológica, em que nos submetemos às vontades infantis e edipianas do outro, aos chiliques e às crises de ciúmes causadas por cenas imaginárias.



Fiquei pensando em quantas mulheres confundem esse mal-estar com um amor mal-curado...

- Acho que não vivemos tudo o que tínhamos para viver, meu querido. Volta! Vem viver outra vez ao meu lado!...



Não se deixe confundir, mulher!

Se der vontade de sair da festa: saia!

Vá procurar pessoas mais interessantes.

A vida está cheia delas!



Vai-te embora, Isadora!!!

Diria o poeta.



E no bar seguinte estava Brown, Suzane e Café.

Uhuuuuuuuuuuu!

Que felicidade!!!



Eu num disse?

Sábado de Aleluia!



Micarême. Alguém já ouviu falar nisso?



The small city também é cultura:

Segundo release enviado por Osmar Barbalho:

“Mi-carême era uma festa que acontecia na França, desde o século XV, em meio ao período de quarenta dias de penitência da Igreja Católica, a Quaresma. De origem francesa, a palavra significa literalmente “meio da quaresma”. No Brasil, a introdução da Mi-carême como festa urbana, ocorreu primeiramente nas grandes capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife. O nome foi adequado à realidade brasileira, em termos, pois ao mesmo tempo em que justificava a realização de um carnaval na Quaresma, este aconteceria no fim e não no meio como o nome original indicava. É um evento que consegue unir toda a população num clima de muita alegria e total descontração. A Mi-carême começou a perder força no final da década de 30, pelo descaso do povo, pela eclosão da guerra e pela oposição da igreja.”



Foi um dia de cinema.
A sensação era a de estarmos em uma locação.
Desde o primeiro momento, fomos tratados como integrantes do elenco.



O cenário era surreal:
em pleno Mercado de São José, a paz da exclusividade do lugar só para a brincadeira.



Os personagens, de outros tempos. O principal: Microfone. Figura fantástica, cheia de vida e de histórias. Quando alguém lhe diz:

- Sou do Rio.

Ou

- Vim de Sampa.

Ele retruca:

- Aquilo é um interiorzinho bom!

- Mas por que, Microfone? E onde não é interior? – pergunto eu.

Inteligentemente, ele dá risadas dizendo:

- Eu nunca saí daqui, então, o resto é interior.

Hahahahaha!!! As risadas estrondam.



Apenas eu, Silvana, Luiz e meu Tom Jobim particular éramos desta época. Nossos olhos e equipamentos gravando tudo.

Era sábado de Aleluia.



As comidas se sucediam na mesa, vindas dos boxes do português e do chinês, até chegar a prometida salada de bacalhau grátis.
Delícia!

Cerveja a escorrer goela abaixo e por todo lugar.
Meu vestido impregnado.



Woleide Dantas, a rainha do Mercado São José deu um show, acompanhada por um conjunto bom demais. Desfalcado como estava, não poderia ter feito melhor.
O som do passado.
Muito bom!



E Microfone, um grande anfitrião, conferia o bem-estar de todos durante toda a festa e, de vez em quando gritava, tornando tudo preto-e-branco:
- Ah! Ladrão de bicicleta!!!



***



Era noite de Lua Cheia e de almas embriagadas:
3 amigos, 1 amor, muitos beijos, beira-mar, pizza e muito mais cervejas me levaram para a cama com o mesmo vestido e biquíni.



Um dia perfeito in the small city.

30.3.08

Ultimo Ato - Aurora de Uma Puta Romântica, ou....


(...) Teve o caixa da padaria, que na verdade, disfarçava humildemente o status de filho do dono. Isto era tão romântico, coincidência ou não, os mais românticos nunca se concretizavam e eram muitos dos tais certinhos.
Ah, teve médico mais velho. Ao olhar da família, ia ser a minha salvação, só podia ser muito madura pra encarar um coroa machista e conservador. como só vinte anos de diferença poderiam exemplificar. Minha nossa! Que maturidade que nada! Me sentia a rainha da transfusão de ladeando o hematologista de sangue quente.
Bem, teve dois irmãos europeus... eles pareciam mais uma dupla sertaneja, mas literalmente, “cantavam” em separado. Bem, quanto a estes deixei pras amigas. Acho que foi numa época de “Natal sem fome”. Depois me arrependi, mas herança é herança. Elas por sua vez, graças a Deus, fizeram jus à doação e claro – ótimo proveito.
Acho que a fama foi maior que a cama. Mas na pior das hipóteses, anos depois, quando descubro que, seguindo a máxima da mestra Rita (Lee), “não sou freira, nem sou puta” a crônica que vos fala dá também pra divertir uma meia dúzia de amigas que é só o que pretendo.
Mas acreditem se quiser, era só um amor que eu queria com estas loucuras todas. Mesmo sem saber direito o que era isso, que trabalho dava, e daí todo o problema.
A “análise” irônica de não saber o que é o amor, quem sabe um dia, em uma crônica perto de você. Se é que eu ainda vou conseguir escrever algo com aquele tom de fábula infantil. Mas desde que a minha Alice faleceu, acho realmente difícil. Até lá, vocês fiquem aí pensando o que significa nesta história, o lance do rímel transparente.

(*)No país das maravilhas. (todo mundo tem uma dentro de si – encontre a sua – e pelo amor de Deus, mate-a)

27.3.08

Aurora de Uma Puta Romântica - ou: sobre o rímel transparente - 2º Ato.

(...)
Menina, este negócio de lutar por amor dá trabalho. Devia ter uma escola, pra primeiro você saber o que é amor, pra depois entender porque mesmo você ta lutando. Era muito “fake”, muita tentativa de sedução. Nada que varasse as raias do sacrifício pela vaidade, a coca e a cerva nossa de cada dia estão aí, que as celulites e a barriguinha de balzaquiana da família Pinto não me deixam mentir.
Mas também, com este sobrenome, tinha mesmo de ter se metido com várias “tipagens”. Namorado de coleguinha, roubei um só. Usar LSD deve ser parecido. Na verdade, ela nem era tão colega assim, e também não foi tão namorado. Algo meio descartável, mas valeu a fuga pra a praia distante e a sensação de foragida da polícia a cada toque do recém-chegado no mercado – celular.
As etnias também marcaram: um decendente de alemão riquinho e com valores controversos, um negão baiano (e um outro – neguinho baiano instantâneo), estes são ótimos, por fim, um índio Acreano em Belém do Pará, naquele calor úmido que faz o suor grudar na pele. Então, descoberto o Brasil com a fusão das três raças, que se produzam tantas e tantas histórias.
Se fosse uma pesquisa qualitativa e tivesse como indicadores as profissões, foram: uns quatro comunicadores, três advogados, quatro agrônomos (na real foram dois) um terceiro foi um amor que não foi platônico porque eu era bocuda e falava tudo pra todo mundo, ainda não era profissional mas como era do cursinho e ia prestar vestibular pra agronomia, já valia o título).
Ah, teve um designer não formado que depois virou analista de sistemas (mas já não tinha eu). Sim, e tinha este pessoal cheio de estudo na cabeça, um jovenzinho doutorando em Serviço Social, pasme... Na verdade, com este não deu tempo de discutir as determinações do Serviço Social face à reestruturação da crise capitalista, porque o ônibus Maceió - Recife saía às 6 da manhã.
Teve videasta, cineasta e canastra. Povo esquisito, que trepava e saía de cima, acabava não dizendo a que veio e já ia embora em seguida. E neste meio termo, claro, mais um garoto certinho e bem intencionado que eu insistia em jogar fora. (... continua....)

26.3.08

Aurora de uma Puta Romântica - Ou sobre o rímel transparente. (em três atos)

Bem que dá saudade! De repente, resolvi parar de fazer às vezes de mocinha moralista, cujo tom, disfarçado de bom humor acometeu outras crônicas, e relembrar um passado, por assim dizer, não tão divulgado...

A pessoa que vos fala já se envolveu com gente de todo jeito. Com bailarino disfarçado de professor de espanhol, com travesti, com garoto certinho, com judeu, meninos aproveitadores, com primo, ah, sim, com primo, e depois com mais dois primos. Em relações quase incestuosas e nunca muito promissoras. Mas muito recriminada pela família e só por isso valeu a pena. Acho até que ainda tem “priminhos” por aí dando sopa.

Neste meio tempo, já teve muita gente vaidosa. Mecânico metido a gerente, menino criado por vó, diabo da Paixão de Cristo, e mais um garoto certinho. Teve iluminador (eu me achava a luz), percussionista, maconheiro declarado ou ex-baforido, inclusive disfarçados de garotos certinhos.
Vários! Mas tudo de muito bom gosto... (não aos olhos das amigas, que insistem numa crítica destrutiva aos meus critérios – sem noção - de seleção – com raras exceções, é claro). Afinal, tem amiga sincera quem pode e quem agüenta.

Sim, teve os das fantasias, estes eram os mais divertidos. Uma piscada levava ao altar, um abraço correspondia ao primeiro filho. E se transasse, diga que lascou...
Ex-namorado de amiga foram alguns e amigo de ex-namorado acho que também. Amiga de ex-namorado, até aqui não!

(continua....)

24.3.08

Living... in the small city



Assistindo às mungangas das balzaquianas novaiorquinas em Sex and the city, percebemos que as balzacas do litoral nordestino do Brasil são muito mais espertas, livres, bem-vestidas
(Não estou falando das marcas que usamos. Se é que usamos marcas! Hehehehe... Ficamos melhor em havaianas do que calçando Prada! Alguém aí já calçou Prada? Deu a bixiga, que parágrafo longo!),
abertas às experiências, etc, etc...
e nada modestas!

Aqui, vamos refletir sobre nossas vidas, compartilhar histórias (e estórias), saboreá-las e discuti-las. Vamos também sugerir lugares e programas interessantes. Sempre pensando no melhor para as e os solteiras/os.

Topam participar dessa viagem?
O que rola in the small city?

Beijinhos,
eva