
Desde pequena eu escuto falar que o Recife é violento. As pessoas recomendam fechar a janela do carro, segurar bem a bolsa quando for à cidade, voltar sempre de táxi à noite, ter cuidado com pessoas "estranhas" nos ônibus... afff que estresse.
Nesta semana um carioca me disse que acha Recife mais violento que o Rio de Janeiro. Pode isso?!!
Ontem de manhã, na lavanderia, eu lia o livro Fobópolis – cidade do medo - enquanto aguardava a roupa ser lavada. É um livro sobre o sentimento de medo que assola as nossas cidades. Não só o sentimento, como os acontecimentos que despertam esse medo.
Na seqüência, no mesmo dia à tarde, Cássia é assaltada na porta da minha casa em Olinda quando chegava para encontrar com Anna. Por sorte levaram apenas o celular.
De noite foi a vez de Anna e Giulia serem assaltadas quando voltavam para casa. Neste mesmo momento, eu e alguns amigos bebíamos no Xinxin da Baiana e, por coincidência ou não, falávamos sobre assalto. Foi quando as meninas voltaram de mãos abanando e aí já entendemos tudo. Um bando de moleques bem vestidos abordaram-nas e levaram suas bolsas. Anna ainda agarrou o braço de um deles e levou pra delegacia, mas os policiais preferiram acreditar no garoto que disse que não conhecia o bando.
De repente tudo se volta para o tema da violência, até as conversas no bar. Passamos horas a falar dos assaltos. Shirley a contar os inúmeros assaltos que já viveu. Suas histórias até que eram cômicas, mas poderiam ser trágicas se algo mais grave tivesse acontecido.
De brincadeira para a vida real. Eu e Betina, quando bebíamos juntas, começávamos a hablar espanhol e voltávamos alegres para casa dizendo “tengo miedo”. Talvez por isso mesmo nunca fomos assaltadas na volta pra casa. Afinal, quem assaltaria duas loucas em pleno surto?!kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Espero que meus últimos dias na small city me deixem lembranças melhores... Calma!!! só disse “últimos dias” porque vou me mudar em breve. Ai, que medo! Ou como diz meu amigo italiano Walter: Che paura!
















